sábado, 27 de fevereiro de 2010

AO SABOR DOS SENTIDOS...


"Que seja doce."
( Caio Fernando Abreu)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Desabafo de uma professora

Desabafo de uma professora

Vitor Ramil - Ramilonga

ESTE POST É PARA TODOS OS QUE DEIXARAM
PORTO ALEGRE PARA SEMPRE...


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

GRITAR

Aqui a ação simplifica-se
Derrubei a paisagem inexplicável da mentira
Derrubei os gestos sem luz e os dias impotentes
Lancei por terra os propósitos lidos e ouvidos
Ponho-me a gritar
Todos falavam demasiado baixo falavam e
[escreviam
Demasiado baixo

Fiz retroceder os limites do grito

A ação simplifica-se

Porque eu arrebato à morte essa visão da vida
Que lhe destinava um lugar perante mim

Com um grito

Tantas coisas desapareceram
Que nunca mais voltará a desaparecer
Nada do que merece viver

Estou perfeitamente seguro agora que o Verão
Canta debaixo das portas frias
Sob armaduras opostas
Ardem no meu coração as estações
As estações dos homens os seus astros
Trêmulos de tão semelhantes serem

E o meu grito nu sobe um degrau
Da escadaria imensa da alegria

E esse fogo nu que me pesa
Torna a minha força suave e dura

Eis aqui a amadurecer um fruto
Ardendo de frio orvalhado de suor
Eis aqui o lugar generoso
Onde só dormem os que sonham
O tempo está bom gritemos com mais força
Para que os sonhadores durmam melhor
Envoltos em palavras
Que
põem o bom tempo nos meus olhos


Estou seguro de que a todo o momento
Filha e avó dos meus amores
Da minha esperança
A felicidade jorra do meu grito

Para a mais alta busca
Um grito de que o meu seja o eco.

Paul Eluard, in "Algumas das Palavras"


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

POST CAROL: NOSSA CASINHA!

Oi pessoas amadas!!!

despues do casamento, quero mostrar
pra vcs meu lar doce lar! :)

http://www.youtube.com/watch?v=p6U0Fe03Ajc

Obrigada a todos pelas felicitaçoes e
manifestaçoes de carinho!!

Adoro vcs e sinto muita saudade!!
Queria muito que vcs estivessem aqui no
dia do casamento e quero ver todos presentes
na parte brasileira da festança!

Muitos beijos e abraços bem apertados.

Carol

CASAMENTO CAROL E ÁLVARO (Algumas fotinhos...)





CANADÁ, 06/02/2010.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

AO SABOR DOS SENTIDOS...

"Você não existe. Eu não existo. Mas estou tão

poderoso na minha sede que inventei a você

para matar a minha sede imensa.

Você está tão forte na sua fragilidade

que inventou a mim para matar a sua sede exata.

Nós nos inventamos um ao outro porque éramos

tudo o que precisávamos para continuar vivendo.

E porque nos inventamos um ao outro, porque

éramos tudo o que precisávamos, para continuar vivendo.

E porque nos inventamos, eu te confiro poder sobre

o meu destino e você me confere poder sobre o teu destino.

Você me dá seu futuro, eu te ofereço meu passado.

Então e assim, somos presente, passado e futuro.

Tempo infinito num só, esse é o eterno."


Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

AO SABOR DA PALAVRA

“Às vezes é preciso ficar

nas pontas dos pés
e inventar um novo passo!
É tudo uma questão de equilíbrio...
Ou de perder o medo de cair...’

( Fernanda Silva)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

George+Michael+-+Freedom+%2790


George Michael - Freedom '90
Enviado por jpdc11. - Buscar outros videos de Musica.

SE É PAIXÃO, ME NEGO


Se é paixão, me nego.
Já resvalei, a alma em pêlo,
nesse áspero despenhadeiro.

Se é paixão, não quero.
Conheço seus espinhos de mel,
sei aonde me conduz
embora prometa os céus.

Se é paixão, desculpe-me, não posso.
Conheço suas insônias
e a obsessão.

Se é paixão me vou, não devo ...
não adianta teus apelos.
Resistirei, porque aí
morri mil vezes.
Paixão é arma de três gumes,
e ao seu corte estou imune.

Se é paixão, me nego
e não receio que me acuses de medo.
Do desvario conheço todos os segredos.

Se é paixão, recuso-me e sinto muito,
pois foi há custo
que saí do labirinto.



Affonso Romano de Sant’Anna

“É difícil aprisionar os

que tem asas”.


Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

AO SABOR DA PALAVRA.



DEFENSA DE LA ALEGRÍA

Mario Benedetti

Defender la alegría como una trinchera
defenderla del escándalo y la rutina
de la miseria y los miserables
de las ausencias transitorias
y las definitivas

defender la alegría como un principio
defenderla del pasmo y las pesadillas
de los neutrales y de los neutrones
de las dulces infamias
y los graves diagnósticos

defender la alegría como una bandera
defenderla del rayo y la melancolía
de los ingenuos y de los canallas
de la retórica y los paros cardiacos
de las endemias y las academias

defender la alegría como un destino
defenderla del fuego y de los bomberos
de los suicidas y los homicidas
de las vacaciones y del agobio
de la obligación de estar alegres

defender la alegría como una certeza
defenderla del óxido y la roña
de la famosa pátina del tiempo
del relente y del oportunismo
de los proxenetas de la risa

defender la alegría como un derecho
defenderla de dios y del invierno
de las mayúsculas y de la muerte
de los apellidos y las lástimas
del azar
y también de la alegría



Buena Vista Social Club - Chan Chan

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

INFORME ESPECIAL.



Segue em anexo o convite do nosso casamento
que se realizará aqui no Canadá. Fiquem certos
de que uma grande comemoraçao acontecerá
quando formos pro Brasil. Ainda não temos
data prevista para esta festânça, mas esperamos
que seja breve. E já se preparem para ajudar na
organizaçao hein! hehe
Muitos beijos e abraços bem apertados com
muita saudade de todos.
E meus queridos, podem estar certos de
que meu sorriso é largo, certa da escoilha que fiz.
Carol

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

AUSÊNCIA.


CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus
[braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade, in 'O Corpo'

sábado, 23 de janeiro de 2010

E POR FALAR EM SAUDADES....


ONDE ANDA


VOCÊ?????




sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

CAIO FERNANDO ABREU

Na terra do coração passei o dia pensando - coração meu,

meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar

uma forma, um órgão,uma coisa. Ficou só com-cor,

ação - repetido, invertido - ação, cor - sem sentido - couro,

ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido

no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira

um caleidoscópio, vi:

Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera

do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.

Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas

faces mal se adivinham. Roídas de traça, amareladas de tempo,

faces desfeitas, imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o

fotógrafo invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela

tinha um jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas,

o pó resta nos dedos, o vento sopra.

Meu coração é um mendigo mais faminto da rua mais

miserável.Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável

em papel de seda onde caiu uma gota d’água. Olhado assim,

de cima, pode ser Wu Wang, a Inocência. Mas tão manchado que

talvez seja Ming I, o Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um,

ou qualquer outro: indecifrável.

Meu coração não tem forma, apenas som. Um noturno

de Chopin (será o número 5?) em que Jim Morrison colocou

uma letra falando em morte, desejo e desamparo, gravado por

uma banda punk. Couro negro, prego e piano.

Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se

ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas,

anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas

de todos os sexos.

Meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno,

coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo.

Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha

à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças

na janela, rapazes pela praça, tules violetas sobre os montes onde

o sol se pôos. A lua cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram.

E se apaixonam ainda mais.

Meu coração é um anjo de pedra de asa quebrada.

Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre

a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon,

contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme

um único verso arranhado. Rouco, louco.Meu coração é um

sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os

sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.

Meu coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por

papel de florzinhas miúdas. Lareira acesa, poltronas fundas,

macias, quadros com gramados verdes e casas pacíficas

cobertas de hera. Sobre a renda branca da toalha de mesa,

o chá repousa em porcelana da China. No livro aberto ao lado,

alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath:

"Im too pure for you or anyone". Não há ninguém nessa

sala de janelas fechadas.

Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta

categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.

Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.

Meu coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de

licor de strega. Flambado, dourado. Pode-se ter visões,

anunciações, pressentimentos, ver rostos e paisagens

dançando nessa chama azul de ouro.

Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido,

criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre

acabam destruindo tudo.

Meu coração é uma planta carnívora morta de fome. Meu

coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto,

cantando um fado lento e cheia de gemidos - ai de mim!

ai, ai de mim!

Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim

encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo,

transformam-se magicamente em cavalos brancos alados

que voam para longe, em direção à estrela Veja. Levam

junto quem me ama, me levam junto também.Faquir

involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do

Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana,

vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom,

cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso.

Acesa, aceso - vasto, vivo: meu coração é teu.