sexta-feira, 25 de julho de 2008

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Notícias sobre o Programa Computador Portátil para Professor neste endereço:

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=10895

terça-feira, 22 de julho de 2008

sauvons l'humanité


Foi criada pelo escritor Roberto Freire no início dos anos 70 como uma terapia corporal e em grupo, baseada nas pesquisas do austríaco Wilhelm Reich. Buscando o desbloqueio da criatividade, os exercícios da Soma abordam a relação corpo e emoções presentes na obra de Reich, os conceitos de organização vital da Gestalterapia, os estudos sobre a comunicação humana da Antipsiquiatria e a arte-luta da Capoeira Angola. Os grupos de Soma duram um ano e meio, com encontros periódicos (quatro vivências por mês). Esta convivência possibilita a construção de uma dinâmica de grupo, onde o referencial ético é o Anarquismo. Esta é a maior originalidade da Soma: terapia como pedagogia política, onde o prazer e a liberdade são a saúde que combate a neurose capitalista da sociedade globalizada.

A Soma, enquanto terapia com uma ética anarquista, procura entender o comportamento político humano em sociedade a partir do cotidiano das pessoas. São as micro-relações que produzem o germe do autoritarismo social, num jogo de poder e sacrifício onde valores capitalistas como a propriedade privada, a competição, o lucro e a exploração já não devem ser tratadas apenas como questões de mercado e ideologia. É inegável a influência destes valores sobre áreas vitais das relações sociais, como no amor, por exemplo, onde sentimentos (ciúmes, posse, insegurança) e situações (competição, traição, mentiras) parecem reproduzir no micro-social todos os ranços e saldos do autoritarismo de Governos e Estados. Para a Soma, portanto, a política começa no cotidiano.

Apenas o racional e o lógico tornam-se insuficientes para compreender a imensa teia de controles impostos socialmente e seu impacto sobre a individualidade. É justamente este o grande paradoxo: como escapar das relações hierárquicas e autoritárias com os sentimentos e todas suas extensões emocionais contaminadas por algo que foge do campo das idéias, do pensamento. Este "algo mais", para além da razão, já foi objeto de estudos de filósofos e psicólogos e podemos chamar aqui de inconsciente, as motivações e estímulos, muitas vezes contraditórios, que extrapolam a racionalidade objetiva. O fato de se acreditar numa visão de mundo, numa ideologia, não basta para ter um comportamento libertário no amor, na família, nas relações afetivas. Infelizmente, parece mais fácil tentar ser livre fora de casa, longe da privacidade e exilado do corpo.

Foram estes questionamentos que levaram a criação da Soma, no início dos anos 70. Roberto Freire, militante clandestino lutando contra a ditadura militar, não encontrava na Psicanálise, metodologia que se formou e depois abandonou por divergências ideológicas, e na Psicologia tradicional, ferramentas necessárias para ajudar os conflitos emocionais e psicológicos de seus companheiros de luta que o procuravam buscando auxilio. Foi então buscar as pesquisas de um cientista renegado pelo meio acadêmico, o dissidente mais radical da Psicanálise: Wilhelm Reich. A partir daí, criou uma técnica terapêutica corporal e em grupo.

A Soma nasceu de uma pesquisa sobre o desbloqueio da criatividade, realizada no Centro de Estudos Macunaíma. Através de exercícios teatrais, jogos lúdicos e de sensibilização, Roberto Freire foi criando uma série de vivências que possibilitavam uma rica descoberta sobre o comportamento, suas infinitas e singulares diferenças. Perceber como o corpo reage diante de situações comuns no cotidiano das relações humanas, como a agressividade, a comunicação, a sensualidade, e sua associação com os sentimentos e emoções, permite um resgate daquilo que nos diferencia enquanto individualidade, para criar um jeito novo, a originalidade contra a massificação.

Assim, a Soma se construiu como um processo terapêutico com conteúdo ideológico explícito, o Anarquismo. A terapia tem tempo determinado (cerca de um ano e meio), para evitar a dependência terapeuta/cliente, e é realizada em sessões de três horas cada (são quatro por mês) em vivências com exercícios corporais ou dinâmicas de grupo. Depois de cada vivência, o grupo realiza a leitura da sessão, procurando verbalizar as sensações e percepções produzidas pelo exercício/dinâmica. A leitura pode ser tanto sobre si mesmo como sobre algum companheiro de grupo e é nesta etapa que o participante da Soma começa a produzir sua autonomia terapêutica, desenvolvendo um olhar e uma compreensão maior, a partir do corpo, sobre as atitudes e comportamentos políticos no cotidiano.

Para saber mais Soma vol.3 : leia o livro na íntegra

Pangea Day 2008 - Pale Blue Dot - by Carl Sagan

Recebi este e-mail e repasso a quem interessar.

O projeto Software Livre Educacional estruturou-se no
9º Festival Internacional de Software Livre (FISL).
Seu objetivo principal é organizar
documentação e traduzir softwares livres que possam
ser utilizados na área educacional.
Esse sítio é uma das interfaces de interação com o projeto.
Aqui serão disponibilizadas documentações sobre
o uso pedagógico de softwares livres e traduções
(ou informações de como obtê-las)
de softwares livres educacionais.
Ele está em estágio inicial de desenvolvimento
e a idéia é agregar novas funcionalidades com o tempo.
Além sítio, atuamos também junto ao Projeto Classe,
que tem por objetivo catalogar os softwares livres
educacionais existentes.
Assim, evitamos dispersar esforços e trabalhamos juntos
na criação de um repositório único de informações
sobre esses softwares.

Mais informações podem ser obtidas no endereço abaixo:

http://sleducacional.org/

segunda-feira, 21 de julho de 2008

No processo de seleção da Volkswagen do Brasil,
os candidatos deveriam
responder a seguinte pergunta:

'Você tem experiência'?


A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos.
Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e com certeza ele será
sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia, e acima de tudo por sua alma.

REDAÇÃO VENCEDORA:

Já fiz "cosquinha" na minha irmã pra ela parar de chorar.
Já me queimei brincando com vela.
Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto.
Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
Já passei trote por telefone.
Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo.
Já confundi sentimentos.
Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro.
Já me cortei fazendo a barba apressado.
Já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que eram as mais difíceis
de esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas.
Já subi em árvore pra roubar fruta.
Já caí da escada de bunda.
Já fiz juras eternas.
Já escrevi no muro da escola.
Já chorei sentado no chão do banheiro.
Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.
Já corri pra não deixar alguém chorando.
Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado.
Já me joguei na piscina sem vontade de voltar.
Já bebi uísque até sentir dormente os meus lábios.
Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso.
Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém
especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua,
Já gritei de felicidade,
Já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um 'para sempre'
pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol.
Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a
vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas.
Tantos momentos fotografados pelas lentes da emoção e guardados num baú,
chamado coração.

E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita:
'Qual sua experiência?'.

Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência... Experiência...
Será que ser 'plantador de sorrisos' é uma boa experiência?
Sonhos!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!

Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta
pergunta:
Experiência? 'Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?'

The Original Backwards Video

Cadê o papel-carbono?

Outro dia tive saudade do papel-carbono. E tive saudade também do mimeógrafo a álcool. E tive saudade da velha máquina de escrever. E tive saudade de quando, no dizer de Rubem Braga, a geladeira era branca e o telefone era preto.
Os mais jovens nem sabem o que é papel-carbono ou mimeógrafo a álcool. Mas tive saudade deles, ou melhor, de um tempo em que eu não dependia eletronicamente de outros para fazer as mínimas tarefas. Uma torneira, por exemplo, era algo simples. Eu sabia abrir uma torneira e fazê-la jarrar água. Hoje tomar banho é uma peripécia tecnológica.Hoje até para tomer um elevador tenho que inserir um cartão eletrônico para ele se mover. Claro que tem o Google, essa enciclopédia no computador que facilita as pequisass( para quem não precisa ir fundo nos assuntos), mas muita coisa me intriga: por que cada aparelho de televisão de cada casa, de cada hotel tem um controle remoto diferente e a gente não consegue usá-los sem pedir socorro a alguém?
Olha, tanta tecnologia!...Mas além de não terem descoberto como curarr uma simples gripe, os elevedores dos hotéis ainda não chegaram a uma conclusão de como assinalar no mostrador que letra deve indicar a portaria.Será necessária uma medida provisória do presidente para uniformizar tal diversidade analfabética?
Outro dia, li que houve uma reunião em Baku, lá no Azerbaijão, congregando cérebros notáveis para decifrarem nosso presente e nosso futuro. Pois Jean Baudrillard * andou dizendo, com aquela facilidade que os franceses têm para fazer frases que parecem filosóficas, que o que caracteriza essa época que está vindo por aí é que o homem, leia-se corretamente homens e mulheres. ou seja, o ser humano, foi descartado pela máquina.( Isto a gente já sabe quando tente ligar para uma firma qualquer e uma voz eletrônica fica mandando a gente discar isto ou aquilo e volta tudo a zero e não obtemos a informação necessária.)
Deste modo estão se cumprindo dois vaticínios. O primeiro era de um vate mesmo - Vinícius de Moraes, que naquele poema "Dia da Criação" , fazendo considerações irônicas sobre o dia de "sábado" e os desígnios divinos, diz: " Na verdade, o homem não era necessário". É isto, já não somos necessários.
E a outra frase metida nessa encrenca é aquela da Bíblia, que dizia que o" sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado". Isso foi antigamente. Pois achávamos que a máquina havia sido feita para o homem, mas Baudrillard, as companhias aéreas e as telefônicas mais os servidores de informática nos convenceram que " o homem é que foi feito mpara a máquina". Ao telefone só se fala com máquinas, e algumas empresas - esses servidores de informática - nem seus telefones disponibilizam. Estou, por exemplo, há quatro meses tentanto falar com alguém no "hotmail" e lá não tem viv'alma, só fantasmas eletônicos sem rosto e sem voz.
Permita-me, eventual e concreto leitor, lhe fazer uma pergunta indiscreta. Quanto tempo diariamente você está gastando com e-mails? Quanto tempo para apagar o lixo e responder bobagens? Faça a conta, some. Vai ficar estarrecido.
Drummond certa vez escreveu: "Ao telefone perdeste muito tempo de semear". Ele é porque não conheceu a internet, que tanto quanto o celular, usada desregradamente é a grande sorvedora de tempo da pós-modernidade.
Poe estas e por outras é que estou pensando seriamente em voltar ás cartas, quem sabe ao pergaminho. E a primeira medida é reencontrar o papel-carbono.
Cadê meu papel-carbono?



*Filósofo francês, crítico da sociedade de consumo e um dos teóricos da pós-modernidade. Jean Baudrillard (1929-2007) publicou cerca de cinqüenta obras, entre elas A sociedade de consumo (1970) e Simulacros e simulação (1981). (N.E.)
DITADOS DO SÉCULO 21

1 - A pressa é inimiga da conexão.
2 - Amigos, amigos, senhas à parte.
3 - Antes só que em chats aborrecidos.
4 - A arquivo dado não se olha o formato.
5 - Diga-me que chat freqüentas e te direi quem és.
6 - Para bom provedor uma senha basta.
7 - Não adianta chorar sobre arquivo deletado.
8 - Em briga de namorados virtuais não se mete o mouse.
9 - Em terra off-line, quem tem um 486 é rei.
10 - Hacker que ladra, não morde.
11 - Mais vale um arquivo no HD do que dois baixando.
12 - Mouse sujo se limpa em casa.
13 - Melhor prevenir do que formatar.
14 - O barato sai caro. E lento.
15 - Quando a esmola é demais, o santo desconfia que tem vírus anexado.
16 - Quando um não quer, dois não teclam.
17 - Quem ama um 486, Pentium 5 lhe parece.
18 - Quem clica seus males multiplica.
19 - Quem com vírus infecta, com vírus será infectado.
20 - Quem envia o que quer, recebe o que não quer.
21 - Quem não tem banda larga, caça com modem.
22 - Quem nunca errou, que aperte a primeira tecla.
23 - Quem semeia e-mails, colhe spams.
24 - Quem tem dedo vai a Roma.com.
25 - Um é pouco, dois é bom, três é chat ou lista virtual.
26 - Vão-se os arquivos, ficam os back-up.
27 - Clique onde eu digo, mas não clique onde eu clico!
28 - Como diz aquele novo ditado... De clique em clique,
você fica viciado em internet!
29 - De internauta, programador e hacker, todo mundo
tem um pouco!
30 - Dedo mole em tecla dura, tanto bate até que
acostuma!
31 - É nos menores chips que se encontram as
melhores informações.
32 - Em casa de programador, o espeto é de fibra ótica!
33 - Memória não é documento!
34 - Na internet, as melhores coisas são imorais e
ilegais.
35 - Não adianta chorar pelo link clicado!
36 - Não deletei, não sei quem deletou e tenho raiva de
quem deleta.
37 - Não há nada como um clique após o outro!
38 - O back-up morreu de velho.
39 - Olho por olho, clique por clique!
40 - Programa velho é que faz site bom...
41 - Quem é vivo sempre fica online!
42 - Quem não clica não petisca!
43 - Quem não tem banda larga, caça com modem.
44 - Quem tem winchester, tem medo!
45 - Quem vê nick não vê cara e muito menos coração!
46 - Ruim com o seu micro, pior com o meu!47 - Se correr o hacker pega, se ficar o hacker come!
48 - Se Maomé não vai até a montanha, ela envia um
e-mail...
49 - Tendinite pouca é bobagem!
50 - Vírus no winchester dos outros é refresh.
51 - Uma impressora disse para outra: Essa folha é sua
ou é impressão minha?
52 - Aluno de informática não cola, faz backup.
53 - O problema do computador é o USB (Usuário Super
Burro).
54 - Na informática nada se perde, nada se cria. Tudo se
copia… e depois se cola.
55 - O Natal das pessoas viciadas em computador é
diferente.
56 - No dia 25 de dezembro, o Papai Noel desce pelo
cabo de rede, sai pela porta serial e diz: Feliz Natal,
ROM, ROM, ROM!

E
nviado por: Anna Eliza Fürich

domingo, 20 de julho de 2008

http://i121.photobucket.com/albums/o207/bicfomh/rec/mensagensdevida/mensagens043.gif

Entrevista:
Ética para a vida

O jeito de cuidar de Leonardo Boff

Leonardo Boff é conhecido mundialmente por seu trabalho, além de ser autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística.
Em seus livros A Ética da Vida e Saber Cuidar, ele trata assuntos como a sobrevivência do planeta Terra e do próprio homem, da importância do cuidado na nossa vida, das diversas ecologias.
Mesmo com a agenda lotada, nos concedeu a seguinte entrevista:

Construir Notícias – Em seus livros a ética está muito presente. Como define a “ética”. Por que ela é tão necessária e importante atualmente?

Leonardo Boff – A ética surge quando o outro emerge diante de nós. Que atitude tomar diante do outro? Não podemos ficar indiferentes. Mesmo o silêncio é uma atitude. Podemos acolher o outro, podemos rejeitá-lo, subordiná-lo e até agredi-lo e eliminá-lo. Essas atitudes configuram a ética. Ela será benfazeja quando faz do distante um próximo e do próximo um aliado e um irmão e irmã. Nesta perspectiva, bom é tudo aquilo que aproxima as pessoas ou que corresponde de forma benfazeja às realidades circunstantes; bom é tudo o que cuida e expande a vida em todas as suas formas; mau é tudo o que ameaça, diminui e destrói a vida. A regra de ouro da ética quando confrontada com o outro é: “faça ao outro o que você quer que lhe façam a você”.Hoje pesa sobre a humanidade e o sistema da vida o pesadelo da depredação e até da destruição da vida e do projeto planetário humano. Somos todos vítimas de práticas que exploram pessoas, classes, paises, ecossistemas e o sistema Terra. São éticas anti-vida. Em razão disso, faz-se urgente uma ética salvadora e benfazeja que garanta a vida e o futuro do Planeta. Sem ética e uma cultura de valores espirituais que a acompanham não afastaremos o pesadelo e o encontro com o pior. Precisamos de uma ética mínima fundada do cuidado de uns para com os outros, com a vida e o Planeta, uma ética da cooperação e da solidariedade de todos com todos pois somos interdependentes e só podemos viver e sobreviver juntos, uma ética da responsabilidade que toma consciência das conseqüências benéficas ou maléficas de nossas práticas e uma ética da compaixão que se mostra sensível para quem menos tem e menos é, para que não se sinta excluído mas inserido na comunidade de vida.


CN – A ética é um dos temas transversais da educação. Como os professores podem e devem vivenciá-la em suas salas de aula, escolas e famílias? Quais os benefícios e conseqüências trazidos por uma convivência fundamentada na ética?

LB – O primeiro passo consiste em despertar nos educandos a dimensão ética, respondendo à pergunta básica: como você trata seus pais, irmãos, amigos, colegas, o pobre que encontra na rua, o bichinho que atravessa a estrada, a planta que temos em casa? Como me trato a mim mesmo (eu sou o outro diante de mim mesmo), sou veraz, transparente? Como vejo atitudes éticas e anti-éticas nas novelas, na propagada, nos programas de televisão? Aqui se trata de desenvolver o espírito crítico. Em seguida, lembrar a regra de ouro: o que você gostaria que fizessem a você? Elencar as coisas e atitudes que você gostaria que se fizessem. Em seguida, faça a mesma coisa aos outros, como prescreve o preceito ético mínimo. Por fim, suscitar uma utopia ética: como imaginamos o mundo globalizado dentro de padrões éticos de cooperação, respeito à vida, sinergia com a natureza, reverência face ao mistério do universo, chamado Deus? E por fim como podemos fazer as revoluções moleculares, quer dizer, que passos concretos, bem práticos, cada um pode fazer para ser uma pessoa mais ética, mais sensível a valores, mais cooperativa, mas aberta a aprender com os diferentes? Como se depreende, aqui há todo um programa ético, dignificado da vida e atento ao futuro, à integridade e à beleza da natureza.


CN – Na verdade, as pessoas sabem o que é eticamente correto, no entanto, suas atitudes, por inúmeras razões, tendem a “passar por cima” dela, pois a ética já existe, ela não é respeitada, mas existe. O Sr. propõe uma nova ética. Qual a diferença entre a “antiga” ética, que acredito ser a que conhecemos mesmo não sendo respeitada, e esta nova ética? Como é esta nova ética? Como ela se estabelece?

LB – Não proponho uma nova ética. Mas o resgate de uma ética mais originária, ligada imediatamente, à vida e tudo o que pertence à vida. Esta ética ancestral precisa ser redita e atualizada para o contexto de nossa cultura dominante. Esta possui também a sua ética. A cultura dominante se estrutura ao redor da categoria poder. O poder é entendido e exercido como dominação da natureza, de povos sobre outros, de classes sobre classes, de pessoas sobre outras pessoas. Predomina a lógica do interesse individual e não a lógica do diálogo, do encontro e da comunhão. A lei mais forte é a da competição e não da cooperação. Por isso há tantos excluídos e marginalizados, pois na competição só um ganha e todos os demais perdem, como é exemplar no esporte e no mercado. Precisamos da lógica da gratuidade, do respeito do outro e da cooperação de todos com todos. É a lei de John Nash, do ganha-ganha, onde mediante o diálogo, negociação e aliança todos ganham e todos co-evoluem, projeto tão bem mostrado no filme “Uma mente brilhante”. Hoje somos urgidos a viver esta lógica, pois não há mais uma arca de Noé que salva alguns e deixa perecer os demais. Agora ou nos salvamos todos ou nos perdemos todos.


CN – No seu livro Saber Cuidar o Sr. analisa uma fábula de Higino sobre o cuidado. Nele o CUIDADO é proposto com essência humana, sendo mais fundamental até do que a razão e a vontade. Qual a explicação para essa concepção?

LB – Vida sem cuidado não existe. Se não cuidarmos de um recém nascido em poucas horas ele morre. Mesmo depois, tudo deve ser cuidado para durar mais e mesmo para sobreviver. Se não cuidarmos dos alimentos nos podemos envenenar, se não cuidarmos no tráfego podemos ser atropelados e morrer e assim por diante. O cuidado é a pré-condição que permite a reprodução da vida, cria espaço para que surja a inteligência, a liberdade e a criatividade. Sem o cuidado essas coisas não teriam condições de emergir. Por isso o cuidado é como dizia o poeta Horário, a sombra que nos acompanha sempre. É a essência do humano, pois é aquela instância mínima que condiciona, suporta e garante a existência de tudo o mais no ser humano. Daí pertencer o cuidado à essência em grau zero de todo tipo de vida, especialmente, da vida humana. E o cuidado representa uma relação amorosa para com a realidade, relação que protege e dá segurança à vida. Onde há cuidado não há violência. Bem dizia Gandhi: a política é o cuidado para com a coisa pública, o gesto amoroso para com o povo e suas necessidades.


CN – O Sr. defende que devemos ter como perspectiva a fase planetária e ecológica da humanidade. O que é esta fase, como ela se encontra presente no nosso cotidiano e qual a sua relação com a ética?

LB – Graças à inter-relação que os seres humanos estabeleceram entre si pelo comércio mundial, pelas comunicações, pelas viagens e trocas culturais, entramos numa fase nova da humanidade, a fase planetária. Os povos que estavam reclusos em suas culturas e regiões começam a se encontrar num único lugar, vale dizer, no mesmo planeta Terra. Descobrimos a família humana, com muitos membros, de cores e valores diferentes, mas todos, representantes da mesma família humana. E nos damos conta de que Terra e humanidade possuem uma mesma origem e teremos um mesmo destino. Comparecemos juntos face ao futuro. E aí se levantam questões fundamentais: como garantirmos uma convivência minimamente pacífica e humana entre todos? Como preservar a Casa Comum para que todos possam caber dentro dela, a natureza incluída? Como evitar digladiações e lacerações que podem comprometer o futuro de todos? Ai se impõe um consenso mínimo em termos de comportamentos e atitudes. Ora a ética se ocupa exatamente destas questões. Dai a preocupação de estabelecer um consenso mínimo sobre alguns valores sem os quais não poderemos viver juntos nem garantir o futuro comum, na linha que expus na primeira questão respondida acima, o cuidado, a cooperação, a co-responsabilidade e a compaixão.


CN – O Sr. propõe um novo olhar sobre a concepção de ecologia, inclusive propõe uma classificação: ecologia ambiental, ecologia social, ecologia mental e ecologia integral. Quais as características de cada uma delas e como se relacionam com a ética?

LB – A ecologia é a ciência que estuda as relações que todos os seres entretém entre si e com o meio circundante. É a ciência da casa, hoje, coletiva, que é o Planeta Terra. A primeira relação é com o mundo circundante, o assim chamado meio-ambiente. Dele tiramos nosso sustento e do conjunto das relações garantimos nossa vida. Mas se repararmos bem, não existe meio-ambiente, mas o ambiente inteiro, pois nós fazemos parte dele. Na verdade o que existe, é a comunidade de vida da qual nós somos um dos membros. Face à ela surge uma indagação ética: como devemos agir para que conservemos esta comunidade de vida e juntos possamos coexistir e co-evoluir? Como seres sociais nos descobrimos dentro de uma rede de relações que podem ser de cooperação, de competição e de conflito. Aqui é o campo da justiça ou injustiça social.Juntos podemos manter relações de benevolência para com a natureza ou de depredação e expoliação. Aqui pode surgir a injustiça ecológica, pois agredimos ecossistemas ou exploramos de forma irresponsável recursos escassos como a água potável ou não renováveis como o petróleo. Como criar sociedades integradas cujo desenvolvimento seja feito com a natureza e não à custa dela? Dentro de nossa mente vigem pulsões, preconceitos, visões de mundo distorcidas, concentração apenas no ser humano, como se os demais seres só tivessem valor e sentido quando ordenados ao ser humano. Em razão de tais conteúdos mentais podemos desmatar, poluir águas, discriminar pessoas por causa de sua etnia, religião ou opção sexual. Desmontar tais estruturas é permitir que as pessoas se aproximem, que a natureza seja respeitada e que se reduzem os conflitos desnecessários nas sociedades humanas. Integrar o mundo interior dos desejos, dos arquétipos e dos conteúdos mentais com o mundo exterior da natureza com sua imensa diversidade é desafio posto para o processo de individuação e para a serenidade e a paz do ser humano pessoal e coletivo. Por fim existe a ecologia integral. O ser humano se dá conta que é parte e parcela de um todo maior, do Planeta Terra, do sistema solar, de nossa Galáxia, enfim, do universo. Captamos a majestade do céu estrelado, a imensa complexidade e biodiversidade da natureza, a profundidade do amor. Colocamos indagações terminais, como: de onde viemos, para onde vamos, que estamos fazendo nesse mundo, qual é o nosso lugar no conjunto dos seres, que podemos esperar depois desta vida? E por último, percebemos o fio condutor que une e re-une todos as coisas fazendo que não estejam desconectadas por aí, mas interconectadas entre si formando uma imensa harmonia e sinfonia. É a dimensão espiritual e integral da ecologia. A ecologia hoje representa o novo paradigma civilizacional, holístico, integrador e espiritual. Ela nos ajuda a voltar à comunidade de vida da qual nos exilamos e nos desperta reverência e devoção diante do Mistério de todas as coisas que chamamos Deus.

Poesia Animação

Desencontrários

Mandei a palavra rimar
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em silêncio, em rosa
em grego, em silêncio, em prosa
Pareceu fora de si.
Silaba silenciosa.

Mandei a frase sonhar
e ela se foi num labirinto
fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um imperfeito extinto.

Paulo Leminski

sábado, 19 de julho de 2008

Adoro este vídeo!!!