sábado, 19 de novembro de 2011
[...]
o último dia da sua vida, você espalhe delicadamente
E que uma parte de você acredite que ela foi, de fato,
a mais bela história de amor da sua vida."
TRADUZIR-SE
Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém
Fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim, pesa
Pondera
Outra parte, delira
Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte, linguagem
Traduzir uma parte noutra parte
Que é uma questão de vida ou morte
Será arte?
Será arte?
Ferreira Gullar
Outra parte é ninguém
Fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim, pesa
Pondera
Outra parte, delira
Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte, linguagem
Traduzir uma parte noutra parte
Que é uma questão de vida ou morte
Será arte?
Será arte?
Ferreira Gullar
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
[...]
“Não sou para todos. Gosto muito do
meu mundinho. Ele é cheio de surpresas,
palavras soltas e cores misturadas. Às
vezes tem um céu azul, outras tempestade.
Lá dentro cabem sonhos de todos os
tamanhos. Mas não cabe muita gente.
Todas as pessoas que estão dentro dele
não estão por acaso. São necessárias.”
CaioFernandoAbreu
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
sábado, 5 de novembro de 2011
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
[...]

— Só sei que nós nos amamos muito…
— Porque você está usando o verbo no presente? Você ainda me ama?
— Não, eu falei no passado! – Curioso né? É a mesma
conjugação.
— Que língua doida! Quer dizer que NÓS estamos condenados a amar para sempre?
(…)
— E não é o que acontece? Digo, nosso amor nunca acaba, o que acaba são as relações…
— Pensar assim me assusta.
— Por que? Você acha isso ruim?
— É que nessas coisas de amor eu sempre dôo demais…
— Você usou o verbo ‘doer’ ou ‘doar’?
(Pausa)
— Pois é, também dá no mesmo…
CaioFernandoAbreu
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
terça-feira, 1 de novembro de 2011
MULHER DE LIBRA
Sabe um gatinho felpudo se aninhando no colo
pra dormir? A mulh...er de Libra. Muitas vezes
parecem uma boneca de tão femininas que são.
Mas elas são espertas essas meninas... Na
realidade elas se sentem muito bem usando calças
e são donas de um raciocínio que causa surpresa.
Como uma bonequinha de luxo pode ter tantos
comentários pertinentes sobre o trabalho que você
realiza na empresa?
Bom. Elas conseguem desenvolver um raciociínio
por horas e elas falam muito. Quando estão
discutindo, as vezes nem percebem que se colocaram
mais em um monólogo do que num debate. No fim
ela acaba sem defender e nem acusar ninguém
porque nos termos da libriana tudo dá empate.
Bom, na realidade, que diferença faz? Você está
ridiculamente encantado pelo jeito dela de escorregar
no chão e cair de bunda (tudo é lindo nessas gatinhas
felpudas). E o sorriso dela? Admita que você já sentiu
vontade de nadar nele. Nado borboleta. Tudo que ela
disser você concorda. De qualquer forma é muito
possível que ela esteja certa sobre o que quer que ela
esteja debatendo. Elas são as representantes da
justiça, tudo é meticulasamente balançado. Então se
você não é chegado na DR, te prepara porque se tem
uma mulher no zodíaco que sabe discutir uma relação,
é a libriana. Tá bom que ela discute sobre umas coisas
meio sem importancia as vezes, mas é admirável sua
determinação em encontrar uma resolução correta.
As librianas são parecidas com as leoninas no quesito
luxo e materialismo. A grande diferença é que as
leoninas se detem no valor das coi$as, ao passo que
as librianas dão mais importancia à beleza. Ela tem
necessidade de roupas bonitas, perfumes de notáveis
aromas, espetáculos de arte e música. E é apenas uma
fatalidade que o que é belo e de boa qualidade, seja
caro. rsrs Prepare o bolso se decidir ser feliz para sempre
com uma dessa. Funde um grupo de apoio de maridos
endividados junto com os amantes das leoninas.
Vai ajudar. As mulheres de libra, mais do que qualquer
outra, tem essa necessidade de estar acompanhada.
Sozinha não dá. Ela definitivamente não nasceu pra
jogar paciência. 9 em cada 10 librianas vão perguntar
à cartomante quando encontrará o amor da sua vida. A
outra que restou está preocupada com quem irá montar
a sua empresa. By myself é hard. E em se tratando de
negócios dificilmente ela deixará que suas emoções a
impeçam de realizar um julgamento equilibrado. Sua
dedicação a quem ganha seu coração é uma combinação
perfeita de força e suavidade. Ela quer estar junto de quem
ama sem sufocar. Nunca abrirá uma correspondencia sua.
Pelo contrário, ela quer ser útil e agradável.
Librianas são doces o suficiente para acompanha-lo como
as mais graciosas da noite, bem como de ajudá-lo a trocar
o pineu do carro que furou na volta. As vezes a gente se
espanta com elas. Quando mexem realmente com essas
mulheres, elas se desfazem da pele de veludo e mostram
porque quando essa bonequinha de porcelana cai no chão,
não se quebra.
Gatinha felpuda? Bom, você acredita no que quiser! A capa
é a menor parte de um livro.Ver mais
Escrito por : Eduardo Aguiar
[...]
Queria que algum canto do mundo me acolhesse.
E me abraçasse e dissesse que tudo bem, tudo bem
de vez em quando eu perder assim a razão ou o
equilíbrio. Eu queria que existisse um canto do
mundo que nunca me dissesse "hey, você se expõe
demais" e que me deixasse ser assim e apenas me
deixasse ficar quietinha e quente quando o mundo
resolvesse me magoar, porque eu sou briguenta, mas
sou mais sensível que maria-mole na frigideira. Eu
queria ir para um planeta onde não existisse tempo
de beijar e tempo de pirar. E eu pudesse ir agora no
seu mundo e te beijar até enjoar de você. E eu
pudesse, de repente, gritar bem alto, porque me
irrita esses milhares de sons tecnológicos que você
faz. Para mostrar que meio mundo te procura
enquanto eu não posso te procurar... Eu falo o que
penso, abro as portas da minha casa, da minha vida,
da minha alma, dos meus medos. Basta eu ver um
sinal de luz recíproca no final do túnel que mando
minhas zilhões de luzes e cego todo o mundo. Sou
demais. Ninguém entende nada... E que se dane a
natureza gritando no meu ouvido que não posso
ser assim. Que a boa fêmea sabe esperar nove
meses, portanto deve saber esperar uma ligação
ou um sinal de "pode avançar no joguinho". Eu
não sei esperar nada. E a natureza gritando no
meu ouvido que então, já que sou birrenta, vou
ficar sem nada mesmo. Porque é preciso saber viver.
Atiram a gente nesse mundo, nosso coração sente
um monte de coisa desordenada, nosso cérebro
pensa um monte de absurdo. E a gente ainda precisa
ser super equilibrada para ganhar alguma coisa da
vida. Como se só por estar aqui, aturando tanta
maluquice, a gente já não devesse ganhar aí um
desconto para também ser louco de vez em quando.
Quem é essa natureza maluca, quem é esse mundo
maluco? Quem são esses doidos que exigem tanta
certeza e tanta "finesse" e tanta postura da gente? E
eu queria te beijar até enjoar. Porque eu só sei curar
uma vontade de me entorpecer de alguém quando
sugo a pessoa até a última gota.O problema é que,
nesse mundo sem graça com celulares que apitam e
mensagens no Messenger que apitam e policiais
mentais que apitam "hey, segura a onda, não deixe
ele perceber que pode comandar seu coração mole",
ninguém mais sabe nem sugar e nem ser sugado até
a última gota. Fica uma droga de um joguinho
superficial de trocas superficiais. E ai de quem resolva
sair disso. Vai ser tachado de louco de pedra. Maluco...
Queria que ao menos algum canto do mundo me
acolhesse. E me abraçasse e dissesse que tudo bem,
tudo bem de vez em quando eu perder assim a razão ou
o equilíbrio. E repetir e repetir e repetir o erro. E jurar
que da próxima vez eu serei normal. E jurar que da
próxima vez eu obedecerei a natureza... E depois chutar
todos, porque no fundo tô pouco me lixando pra essa
maioria idiota. Pode até ser meio solitário correr contra
a maré, mas como é gostoso olhar a multidão do outro
lado e enxergar todo mundo pequenininho.
Tati Bernardi
E me abraçasse e dissesse que tudo bem, tudo bem
de vez em quando eu perder assim a razão ou o
equilíbrio. Eu queria que existisse um canto do
mundo que nunca me dissesse "hey, você se expõe
demais" e que me deixasse ser assim e apenas me
deixasse ficar quietinha e quente quando o mundo
resolvesse me magoar, porque eu sou briguenta, mas
sou mais sensível que maria-mole na frigideira. Eu
queria ir para um planeta onde não existisse tempo
de beijar e tempo de pirar. E eu pudesse ir agora no
seu mundo e te beijar até enjoar de você. E eu
pudesse, de repente, gritar bem alto, porque me
irrita esses milhares de sons tecnológicos que você
faz. Para mostrar que meio mundo te procura
enquanto eu não posso te procurar... Eu falo o que
penso, abro as portas da minha casa, da minha vida,
da minha alma, dos meus medos. Basta eu ver um
sinal de luz recíproca no final do túnel que mando
minhas zilhões de luzes e cego todo o mundo. Sou
demais. Ninguém entende nada... E que se dane a
natureza gritando no meu ouvido que não posso
ser assim. Que a boa fêmea sabe esperar nove
meses, portanto deve saber esperar uma ligação
ou um sinal de "pode avançar no joguinho". Eu
não sei esperar nada. E a natureza gritando no
meu ouvido que então, já que sou birrenta, vou
ficar sem nada mesmo. Porque é preciso saber viver.
Atiram a gente nesse mundo, nosso coração sente
um monte de coisa desordenada, nosso cérebro
pensa um monte de absurdo. E a gente ainda precisa
ser super equilibrada para ganhar alguma coisa da
vida. Como se só por estar aqui, aturando tanta
maluquice, a gente já não devesse ganhar aí um
desconto para também ser louco de vez em quando.
Quem é essa natureza maluca, quem é esse mundo
maluco? Quem são esses doidos que exigem tanta
certeza e tanta "finesse" e tanta postura da gente? E
eu queria te beijar até enjoar. Porque eu só sei curar
uma vontade de me entorpecer de alguém quando
sugo a pessoa até a última gota.O problema é que,
nesse mundo sem graça com celulares que apitam e
mensagens no Messenger que apitam e policiais
mentais que apitam "hey, segura a onda, não deixe
ele perceber que pode comandar seu coração mole",
ninguém mais sabe nem sugar e nem ser sugado até
a última gota. Fica uma droga de um joguinho
superficial de trocas superficiais. E ai de quem resolva
sair disso. Vai ser tachado de louco de pedra. Maluco...
Queria que ao menos algum canto do mundo me
acolhesse. E me abraçasse e dissesse que tudo bem,
tudo bem de vez em quando eu perder assim a razão ou
o equilíbrio. E repetir e repetir e repetir o erro. E jurar
que da próxima vez eu serei normal. E jurar que da
próxima vez eu obedecerei a natureza... E depois chutar
todos, porque no fundo tô pouco me lixando pra essa
maioria idiota. Pode até ser meio solitário correr contra
a maré, mas como é gostoso olhar a multidão do outro
lado e enxergar todo mundo pequenininho.
Tati Bernardi
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
sábado, 22 de outubro de 2011
[...]
"Foi então que eu descobri. Ela
está exatamente no mesmo lugar
que eu agora, pensando as mesmas
coisas, com preguiça de ir nos mesmos
lugares furados e ver gente boba, com a
mesma dúvida entre arriscar mais uma
vez e voltar pra casa vazia ou continuar
embaixo do edredon lendo mais algumas
páginas do seu mundo perfeito.
A verdade é que as pessoas de verdade estão
em casa. Não é triste pensar que quanto mais
interessante uma pessoa é, menor a chance
de você vê-la andando por aí?"
Tati Bernardi
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
[...]
“Eles se amam... Todo mundo sabe, mas ninguém
acredita... Não conseguem ficar juntos. Simples.
Complexo. Quase impossível. Ele continua vivendo
sua vidinha idealizada e ela continua idealizando
sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria
certo. Outros dizem que foram feitos um para o
outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem
meias palavras e milhares de coisas não ditas. Ela
quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa
nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão
vivendo até quando a vontade de estar com o outro
for maior do que os outros. Enquanto o mundo vive
lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro.
E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que
o outro faz. Nunca mais se viram, nunca mais se
tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil
porque os dias passam rápidos demais, é difícil
porque o sentimento fica, vai ficando e permanece
dentro deles. E todos os dias eles se perguntam o
que fazer. (...) E que no momento certo se
reencontrem e que nada, nada seja por acaso...”
Tati Bernardi
terça-feira, 18 de outubro de 2011
VIVER SEM VOCÊ
Às vezes acordo com a boca seca que a vida
é amarga. Às vezes a chuva é repentina e me
pega sem abrigo. Às vezes bate uma agonia
lenta e o vento arrasta qualquer esperança
para muito além do longe.
Mas é verão quando chegas e, se chove, a
chuva é de estrelas.
Há um calor de verão na mornura dos teus
pelos. Como se trouxesses, em meio à
tempestade, estrelas e calmarias.
É pouco, porque num instante o dia fica feio.
Para no outro, o sol ser de janeiro.
Ao mesmo tempo, o tempo de um minuto, o
coração desalenta, quase arrebenta.
Há uma adaga que afaga e um punhal que
alimenta. Há um azul que transpira o que a
tarde inventa.
Quando tu chegas de amor a pele sufoca. Tanto,
tanto, tanto que eu morro do amor que me toca.
Quando vais embora, quem baterá a porta?
Quem abrigará o lírio do olhar? Quem amainará
o sono de pedra? Quem irá impedir o silêncio
de atravessar janelas e se assentar na sala?
Quem tem medo de amar com receios
de sofrer passa o tempo se escondendo. Eu não.
Quero que o amor estraçalhe, que a paixão
descarrile, que a palavra nunca atrapalhe.
Por que vens de longe, de um mundo que é
encantado. E chegas no meu mundo de
sombras, no meio das trevas, e a tua lua
e os teus mistérios se debruçam sobre mim.
E eu sonho que a única razão da vida é
existires, que não há razão nenhuma se
resistires. E eu me pergunto por que
demoraste tanto que eu já estou tão pouco?
Me pedes que eu fale da vida e a vida não
tem respostas. Sinto um perfume de
açucenas vindo das profundezas do mar.
Perfume que não se dá. Vida que não se faz.
Quem colocará os guizos na manhã? Quem
decifrará a palavra nas linhas da pele?
Quem coserá a seda quando o tempo se
romper? O amor?
Te levo nos desvarios do sonho e recordo
os teus azuis. Te carrego comigo na
garupa do meu coração. Não há magias,
não há folias que eu não faça: basta o teu
coração pedir. Não há pranto que não seque
quando olhas para mim. O coração dá
pinotes, o dia dá cambalhotas e o mundo
parece uma festa que não acaba jamais.
Teu corpo é minha pátria. E dele me sinto
exilado. Porque vens de longe, eu sei. De
um tempo de sobras. Poderias chegar de
amor, mas vens feito sereias trazendo a
morte em seus cantos.
Vens cansada e o que me resta é
adormecer-te. Fazer-te velejar pelo mar
da lua cheia em seu barco de cristal.
Ouço o som deste mar, som que acalma,
que desconsola; ouço o primeiro dos
gemidos que ao meu coração chegasse.
Grito, peço e canto: deixa que o coração
chacoalhe, que a manhã desembrulhe, que
a canção nos agasalhe!
Quem disse que eu sei viver sem você!
Sérgio Napp
é amarga. Às vezes a chuva é repentina e me
pega sem abrigo. Às vezes bate uma agonia
lenta e o vento arrasta qualquer esperança
para muito além do longe.
Mas é verão quando chegas e, se chove, a
chuva é de estrelas.
Há um calor de verão na mornura dos teus
pelos. Como se trouxesses, em meio à
tempestade, estrelas e calmarias.
É pouco, porque num instante o dia fica feio.
Para no outro, o sol ser de janeiro.
Ao mesmo tempo, o tempo de um minuto, o
coração desalenta, quase arrebenta.
Há uma adaga que afaga e um punhal que
alimenta. Há um azul que transpira o que a
tarde inventa.
Quando tu chegas de amor a pele sufoca. Tanto,
tanto, tanto que eu morro do amor que me toca.
Quando vais embora, quem baterá a porta?
Quem abrigará o lírio do olhar? Quem amainará
o sono de pedra? Quem irá impedir o silêncio
de atravessar janelas e se assentar na sala?
Quem tem medo de amar com receios
de sofrer passa o tempo se escondendo. Eu não.
Quero que o amor estraçalhe, que a paixão
descarrile, que a palavra nunca atrapalhe.
Por que vens de longe, de um mundo que é
encantado. E chegas no meu mundo de
sombras, no meio das trevas, e a tua lua
e os teus mistérios se debruçam sobre mim.
E eu sonho que a única razão da vida é
existires, que não há razão nenhuma se
resistires. E eu me pergunto por que
demoraste tanto que eu já estou tão pouco?
Me pedes que eu fale da vida e a vida não
tem respostas. Sinto um perfume de
açucenas vindo das profundezas do mar.
Perfume que não se dá. Vida que não se faz.
Quem colocará os guizos na manhã? Quem
decifrará a palavra nas linhas da pele?
Quem coserá a seda quando o tempo se
romper? O amor?
Te levo nos desvarios do sonho e recordo
os teus azuis. Te carrego comigo na
garupa do meu coração. Não há magias,
não há folias que eu não faça: basta o teu
coração pedir. Não há pranto que não seque
quando olhas para mim. O coração dá
pinotes, o dia dá cambalhotas e o mundo
parece uma festa que não acaba jamais.
Teu corpo é minha pátria. E dele me sinto
exilado. Porque vens de longe, eu sei. De
um tempo de sobras. Poderias chegar de
amor, mas vens feito sereias trazendo a
morte em seus cantos.
Vens cansada e o que me resta é
adormecer-te. Fazer-te velejar pelo mar
da lua cheia em seu barco de cristal.
Ouço o som deste mar, som que acalma,
que desconsola; ouço o primeiro dos
gemidos que ao meu coração chegasse.
Grito, peço e canto: deixa que o coração
chacoalhe, que a manhã desembrulhe, que
a canção nos agasalhe!
Quem disse que eu sei viver sem você!
Sérgio Napp
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