sexta-feira, 7 de outubro de 2011
O MEU AMOR POR TI
sal na minha boca, e que o sal de lágrimas nos
teus olhos era o meu amor por ti. Mas, o que
mais me havia ligado em susto de amor, fora,
no fundo do fundo do sal, tua substância insossa
e inocente e infantil: ao meu beijo tua vida mais
profundamente insípida me era dada, e beijar teu
rosto era insosso e ocupado trabalho paciente de
amor, era mulher tecendo um homem, assim como
me havias tecido, neutro artesanato de vida."
Clarice Lispector em "A Paixão Segundo G.H.". Editora Rocco, p. 8
FLORBELA ESPANCA
Alguém que veio ao mundo prá me ver
E que nunca na vida me encontrou"
POR QUE EU TE JURO...
coisas do mundo, eu só queria olhar
pra você."
Tati Bernardi
TATI BERNARDI
quieto por mim, e eu ainda escuto o
barulho que a gente faz."
Cáh Morandi
dormindo no teu olhar mais bonito.
Me deixar à beira de um verso interminável
tatuando o teu meio-sorriso no meu início. "
"No meu pensamento, você nunca me critica por eu serum pouco tolo, meio melodramático, e penso então tule,
nuvem, castelo, seda, perfume, brisa, turquesa, vime. E
deito a cabeça no seu colo ou você deita a cabeça no meu,
tanto faz, e ficamos tanto tempo assim que a terra treme
e vulcões explodem e pestes se alastram e nós nem
percebemos, no umbigo do universo. Você toca minha
mão, eu toco na sua."
CaioFAbreu
... E QUANDO NÃO VENS
e ninguém então me sabe parado feito velho
num resto de sol de agosto, escurecido pela tua
ausência, e me anoiteço ainda mais e me entrevo
tanto quando estás presente e novamente me tomas
e me arrancas de mim me desguiando por esses
caminhos conhecidos onde atrás de cada palavra tento
desesperado encontrar um sentido, um código, uma
senha qualquer que me permita esperar por um atalho."
CaioFAbreu
QUANDO ME INVADES...
me tomas e me pedes e me perdes e te
derramas sobre mim com teus olhos sempre
fugitivos e abres a boca para libertar novas
histórias e outra vez me completo assim, sem
urgências, e me concentro inteiro nas coisas
que me contas, e assim calado, e assim submisso,
te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas
com lenta delicadeza deixando claro em cada
promessa que jamais será cumprida, que nada devo
esperar além dessa máscara colorida, que me queres
assim porque assim que és..."
CaioFernandoAbreu
CAIO FERNANDO
não? Estou cuidando bem desse instrumento. Tem
cordas frágeis, às vezes fica calado sem mais nem
menos. Estou lendo a lírica de Camões, leio em voz alta,
com sotaque português — é tão lindo. Te mando, por
exemplo, este soneto:
“Busque amor novas partes, novo engenho
para matar-me, e novas esquivanças,
que não pode tirar-me as esperanças;
que mal me tirarão o que eu não tenho.
“Olhai que de asperezas me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes, nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido lenho.
“Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá m’esconde
amor um mal, que mata e não se vê.
“Que dias há que n’alma me tem posto um
não sei quê, que nasce não sei donde, vem não
sei como, e dói não sei porquê”.
Lindo, não? De 1500 e poucos — a edição foi póstuma,
em 1595. Já doía, naquele tempo... Tenha cuidado. Penso
com carinho em você. Pense com carinho em mim. Um beijo do
Caio F."
QUE COISAS SÃO ESSAS QUE ME DIZES...
escondidas atrás do que realmente quer dizer?
Tenho me confundido na tentativa de te decifrar,
todos os dias. Mas confuso, perdido, sozinho,
minha única certeza é que de cada vez aumenta
ainda mais minha necessidade de ti.
Torna-se desesperada, urgente.
Eu já não sei o que faço.
Não sinto nenhuma alegria além de ti.
Como pude cair assim nesse fundo poço?
Quando foi que me desequilibrei?
Não quero me afogar: Quero beber tua água.
Não te negues, minha sede é clara."
Caio FernandoAbreu
QUANDO FECHO OS OLHOS...

"Quando fecho os olhos, é você quem eu vejo: dos lados,
em cima, embaixo, por fora e por dentro de mim.
Dilacerando felicidades de mentira, descostruindo tudo o
que planejei, abrindo todas as janelas para um mundo
deserto. É você quem me sorri, morde o lábio, fala grosso,
conta histórias, me tira do sério, faz ares de palhaço,
pinta segredo, ilumina o corredor por onde
passo todos os dias."
CaioFernandoAbreu
NÃO QUERO ME ENCANTAR...
nada. Não há nada há ser esperado. Nem desesperado."
"Tô exausto de construir e domolir fantasias. Não quero
me encantar com ninguém."
CaioFerandoAbreu
AMORES, ILUSÕES E DORES...
sempre eu que caio, de amores, ilusões, dores e no
final de tudo eu fico aqui, esperando esse trem, pra
me levar para a próxima estação, onde eu possa
finalmente criar uma nova ficção na minha cabeça,
uma nova atração para os meus olhos, uma nova
paixão pro coração, e quem sabe, um final pra este roteiro."
CaioFAbreu
AMOR MAIOR...
e libertas o caos de tudo e de todos, por amor eu
tento tocar mais fundo, procurando um vôo que não
conseguiria jamais num amor menor."
CaioFernandoAbreu
URGÊNCIAS!!!!
Para me salvar da lama movediça de mim mesmo.
Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar.
Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre
foi pura intuição, não mera loucura."
CaioFAbreu
ESTRANHA SAUDADE!!!!
Eu sei que você lê tudo que eu escrevo,
e escrevo pra você!"
CaioFernandoAbreu
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Cet Amour - Jacques Prévert
Cet Amour
Si violent
Si fragile
Si tendre
Si désespéré
Cet amour
Beau comme le jour
Et mauvais comme le temps
Quand le temps est mauvais
Cet amour si vrai
Cet amour si beau
Si heureux
Si joyeux
Et si dérisoire
Tremblant de peur comme un enfant dans le noir
Et si sûr de lui
Comme un homme tranquille au milieu de la nuit
Cet amour qui faisait peur aux autres
Qui les faisait parler
Qui les faisait blémir
Cet amour guetté
Parce que nous le guettions
Traqué blessé piétiné achevé nié oublié
Parce que nous l'avons traqué blessé piétiné achevé nié oublié
Cet amour tout entier
Si vivant encore
Et tout ensoleillé
C'est le tien
C'est le mien
Celui qui a été
Cette chose toujours nouvelles
Et qui n'a pas changé
Aussi vraie qu'une plante
Aussi tremblante qu'un oiseau
Aussi chaude aussi vivante que l'été
Nous pouvons tous les deux
Aller et revenir
Nous pouvons oublier
Et puis nous rendormir
Nous réveiller souffrir vieillir
Nous endormir encore
Rêver à la mort
Nous éveiller sourire et rire
Et rajeunir
Notre amour reste là
Têtu comme une bourrique
Vivant comme le désir
Cruel comme la mémoire
Bête comme les regrets
Tendre comme le souvenir
Froid comme le marbre
Beau comme le jour
Fragile comme un enfant
Il nous regarde en souriant
Et il nous parle sans rien dire
Et moi j'écoute en tremblant
Et je crie
Je crie pour toi
Je crie pour moi
Je te supplie
Pour toi pour moi et pour tous ceux qui s'aiment
Et qui se sont aimés
Oui je lui crie
Pour toi pour moi et pour tous les autres
Que je ne connais pas
Reste là
Là où tu es
Là où tu étais autrefois
Reste là
Ne bouge pas
Ne t'en va pas
Nous qui sommes aimés
Nous t'avons oublié
Toi ne nous oublie pas
Nous n'avions que toi sur la terre
Ne nous laisse pas devenir froids
Beaucoup plus loin toujours
Et n'importe où
Donne-nous signe de vie
Beaucoup plus tard au coin d'un bois
Dans la forêt de la mémoire
Surgis soudain
Tends-nous la main
Et sauve-nous.
Jacques Prévert
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
INVENTÁRIO DO IR-REMEDIÁVEL
(Foto Jairo Rocha)"Não queria, desde o começo eu não quis. Desde que senti que ia cair e me quebrar inteiro na queda para depois restar incompleto, destruído talvez, as mãos desertas, o corpo lasso. Fugi. Eu não buscaria porque conhecia a queda, porque já caíra muitas vezes, e em cada vez restara mais morto, mais indefinido - e seria preciso reestruturar verdades, seria preciso ir construindo tudo aos poucos, eu temia que meus instrumentos se revelassem precários, e que nada eu pudesse fazer além de ceder. Mas no meio da fuga, você aconteceu. Foi você, não eu, quem buscou. Mas o dilaceramento foi só meu, como só meu foi o desespero. Que espécie de coisa o cigarro queimou, além dos cabelos? Sei que foi mais fundo, mais dentro, que nessa ignorada dimensão rompeu alguma coisa que estava em marcha. Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. A noite ultrapassou a si mesma, encontrou a madrugada, se desfez em manhã, em dia claro, em tarde verde, em anoitecer e em noite outra vez. Fiquei. Você sabe que eu fiquei. E que ficaria até o fim, até o fundo. Que aceitei a queda, que aceitei a morte. Que nessa aceitação, caí. Que nessa queda, morri. Tenho me carregado tão perdido e pesado pelos dias afora. E ninguém vê que estou morto." - CaioFernandoAbreu
sábado, 23 de julho de 2011
MORRE AMY WINEHOUSE...
doente, agoniada. Os que se foram também eram assim. talvez se não
tivessem esta dor não seriam os artistas que eram. Oscar Wilde, quando estava na prisão e escreveu "De Profundis" disse: " Na mais profunda dor eu descobri a verdadeira arte"
Zé Adão Barbosa sobre a morte de Amy Winehouse.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
CAIO FERNANDO
Você não existe. Eu não existo. Mas estou tão poderoso na minha sede que inventei a você para matar a minha sede imensa. Você está tão forte na sua fragilidade que inventou a mim para matar a sua sede exata. Nós nos inventamos um ao outro porque éramos tudo o que precisávamos para continuar vivendo."
CaioFAbreu
sábado, 2 de julho de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
DOS SONHOS...

“Sonhei que você sonhava comigo. Parece simples, mas me deixa inquieto. Cá entre nós, é um tanto atrevido supor a mim mesmo capaz de atravessar — mentalmente, dormindo ou acordado — todo esse espaço que nos separa e, de alguma forma que não compreendo, penetrar nessa região onde acontecem os seus sonhos para criar alguma situação onde..., no fundo da sua mente, eu passasse a ter alguma espécie de existência. Não, não me atrevo. Então fico ainda mais confuso, porque também não sei se tudo isso não teria sido nem sonho, nem imaginação ou delírio, mas outra viagem chamada desejo.”
CaioFABreu
quarta-feira, 15 de junho de 2011
ACHO QUE É ISSO
segunda-feira, 13 de junho de 2011
terça-feira, 7 de junho de 2011
ANTES E DEPOIS
segunda-feira, 6 de junho de 2011
...E FALANDO EM (PRE)CONCEITO
fascitas, comunistas, hare krisna, etc. , nada disso importa.
Qualquer que seja sua bandeira, não me importa. O que
considero insuportável são as pessoas vazias...
...O que me desgosta são as pessoas desprovidas de
imaginação. Os "homens vazios", de T.S.Eliot. Gente que
preencheu esse vazio, esse vácuo deixado pela ausência
de imaginação, com a palha da insensibilidade, e anda
por aí sem ao menos se dar conta do que aconteceu com
eles. Gente que força os outros a aceitar essa
incensibilidade fazendo uso de palavras desprovidas de
substâncias.'
-Haruki Murakami em Kafka à Beira-mar-
domingo, 5 de junho de 2011
EFRAÍN HUERTA
¡Ten piedad de nuestro amor
y cuídalo, oh Vida!
Carlos Pellicer
Amor mío, embellécete.
Perfecto, bajo el cielo, lámpara
de mil sueños, ilumíname.
Orquídea de mil nubes,
desnúdate, vuelve a tu origen,
agua de mis vigilias,
lluvia mía, amor mío.
Hermoso seas por siempre
en el eterno sueño
de nuestro cielo,
amor.
2
Amor mío, ampárame.
Una piedad sin sombra
de piedad es la vida. Sombra
de mi deseo, rosa de fuego.
Voy a tu lado, amor,
como un desconocido.
Y tú me das la dicha
y tú me das el pan,
la claridad del alba
y el frutal alimento,
dulce amor.
3
Amor mío, obedéceme:
ven despacio, así, lento,
sereno y persuasivo:
Sé dueño de mi alma,
cuando en todo momento
mi alma vive en tu piel.
Vive despacio, amor,
y déjame beber,
muerto de ansia,
dolorido y ardiente,
el dulce vino, el vino
de tu joven imperio,
dueño mío.
4
Amor mío, justifícame,
lléname de razón y de dolor.
Río de nardos, lléname
con tus aguas: ardor de ola,
mátame...
Amor mío.
Ahora sí, bendíceme
con tus dedos ligeros,
con tus labios de ala,
con tus ojos de aire,
con tu cuerpo invisible,
oh tú, dulce recinto
de cristal y de espuma,
verso mío tembloroso,
amor definitivo.
5
Amor mío, encuéntrame.
Aislado estoy, sediento
de tu virgen presencia,
de tus dientes de hielo.
Hállame, dócil fiera,
bajo la breve sombra de tu pecho,
y mírame morir,
contémplame desnudo
acechando tu danza,
el vuelo de tu pie,
y vuélveme a decir
las sílabas antiguas del alba:
Amor, amor-ternura,
amor-infierno,
desesperado amor.
6
Amor, despiértame
a la hora bendita, alucinada,
en que un hombre solloza
víctima de sí mismo y ábreme
las puertas de la vida.
Yo entraré silencioso
hasta tu corazón, manzana de oro,
en busca de la paz
para mi duelo. Entonces
amor mío, joven mía,
en ráfagas la dicha placentera
será nuestro universo.
Despiértame y espérame,
amoroso amor mío.
1958
Efraín Huerta
segunda-feira, 30 de maio de 2011
CAIO FERNANDO ABREU
'Que seja doce o dia quando eu abrir as janelas e lembrar de você. Que sejam doce os finais de tardes, inclusive os de segunda-feira - quando começa a contagem regressiva para o final de semana chegar. Que seja doce a espera pelas mensagens, ligações e recadinhos bonitinhos. Que seja (mais do que) doce a voz ao falar no telefone. Que seja doce o seu cheiro. Que seja doce o seu jeito, seus olhares, seu receio. Que seja doce o seu modo de andar, de sentir, de demonstrar afeto. Que sejam doce suas expressões faciais, até o levantar de sobrancelha. Que seja doce a leveza que eu sentirei ao seu lado. Que seja doce a ausência do meu medo. Que seja doce o seu abraço. Que seja doce o modo como você irá segurar na minha mão. Que seja doce. Que sejamos doce.'
CaioFAbreu
sexta-feira, 27 de maio de 2011
quinta-feira, 26 de maio de 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
segunda-feira, 23 de maio de 2011
... E FALANDO EM FANTASIAS
“Fiz fantasias. No meu demente exercício
para pisar no real, finjo que não fantasio.
E fantasio, fantasio. Até o último
momento esperei que você me chamasse
pelo telefone. Que você fosse ao
aeroporto. Casablanca, última cena.
Todas as cartas de amor são ridículas. Esse
lugar confuso de que fala Caetano. E eu
estava só começando a entrar num estado
de amor por você. Mas não me permiti,
não te permiti, não nos permiti.”
CaioFAbreu
sábado, 21 de maio de 2011
VAI PASSAR
Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.
Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.
Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.
Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
- ... mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca ..."
quarta-feira, 18 de maio de 2011
terça-feira, 17 de maio de 2011
AO SABOR DA PALAVRA
“eu e você
sob o mesmo nós
dois sóis
sob o mesmo pôr
(o enigma do amor)
do sol.”
( Arnaldo Antunes)
sexta-feira, 6 de maio de 2011
MANOEL DE BARROS
Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.
- Manoel de Barros –
segunda-feira, 2 de maio de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
sexta-feira, 29 de abril de 2011
UMA IMAGEM E UM PRESENTE...

Vania Staggemeier
Guardo em meu sono...
A loba que habita em mim...
E em memórias nunca semearei...
Discórdia em noites de vendaval...
Observo as estrelas da noite...
Serenas com o silêncio...
Onde por vezes embargo a voz...
Ao som desta cidade...
Onde agora caminho livre...
Nos caminhos dentro de mim...
Nos muros pinto tua imagem...
No sorriso disfarço a tristeza...
No pensamento eu viajo...
Depois de nada adiantará...
Dizer mulher menina mulher...
Minha alma é imensa de desejos...
Nesta tristeza de falar das recusas...
Assim sou sem disfarce...
Nesta entrega que acredito...
Neste delírio de amar e sentir o amor...
Nesta sede imensa que espero...
Carrego agora no sonho...
Minha poesia na revelação...
De meus dias...
No enredo da vida...
Não aprendi os agrados falsos...
Só sei o que minha alma dita...
Que por amor vale a pena sempre...
Nas marés altas procuro sempre...
Ver as coisas boas do outro...
Nas correntes que habitam em mim...
Procuro sempre por outro ângulo...
Ver os azuis os verdes as ondas...
O arco-íris no horizonte em canto...
Onde algum dia de nada adiantará...
Dizer-me mulher menina mulher...
Tu desenhas o amor e atrai cada...
Onda do mar em cantos...
Onde agora brota as paixões...
Em secretas vozes com palavras...
Onde de nada adiantará...
Dizer-me mulher menina mulher...
sábado, 23 de abril de 2011
LER... VALE A PENA
“De aniversário, me dão blusas de poliéster e calças
De gabardine. Só quero usar jeans. Ninguém me dá
jeans. Todo mundo sabe que devoro livros como se
fossem barras de chocolate, que adoro música. Ainda
assim, nenhum adulto jamais me compra um livro ou
um disco de presente. Aliás, talvez seja até bom que
não me dêem o tipo de presente que me agrada. Diante
do pouco que conhecem do meu gosto, eu acabaria
ganhando livros de poliéster e discos de gabardine.”
(Do livro A Primeira Luz da Manhã de Thrity Umrigar)
sexta-feira, 22 de abril de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
domingo, 17 de abril de 2011
AO SABOR DA POESIA
“fotografei teu poema com as asas da solidão
é
solidão tem asa
são elas que escutam e me ditam o que ouvem escondido
fotografei tua emoção com o meu mais forte desejo
é
desejo invade continentes
fazem nascer novas formas de prazer
intravenoso
gasoso
fontes eternas de amor
fotografei tua saudade
que se revelou ser idêntica a minha
feita do que a gente ainda não foi exatamente
como a poesia que se lembra do que ainda nao foi
depois fotografei meu coração
que bate como o teu
fotografei meu sangue
que corre na minha mão
fotografei tua respiração
e te mandei tudo junto do meu ultimo suspiro
quase um sonho em que eu nascia em você”
(Pat Lau)
quarta-feira, 13 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
AO SABOR DA PALAVRA...
terça-feira, 29 de março de 2011
FAXINA
arrumei a casa
varri o sonho
escovei o chão
molhei as plantas
...sangrei na rua
uivei para a lua
fiz um bolo de limão
para você saborear
agora é sentar
beber um chá
deixar a dor adormecer
esperar que amanhã
você me desaconteça
(POEMA DE MARIO PIRATA)
domingo, 20 de março de 2011
AUDIOTECA SAL E LUZ - Catálago
site da Audioteca Sal e Luz. Audilivro para pessoas cegas ou com deficiencia visual.
terça-feira, 15 de março de 2011
POEMA DE ABEL DE JESUS REQUIÃO.
“Nem todo dia brilhará o Sol
Nem todo dia sentiremos o perfume de uma rosa
Nem todo dia receberemos um beijo de quem amamos
Portanto...
...
Precisaremos sentir a plenitude do Sol
Precisaremos sentir a plenitude da rosa
Precisaremos sentir a plenitude de um beijo
Para que...
A essência do Sol
A essência da rosa
A essência do beijo
Esteja sempre em nós...
Ainda que não haja Sol
Ainda que não haja rosa
Ainda que não haja beijo.
...Tudo se nos agrega se assim o permitimos.”
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
CONFISSÃO
" Fecha os olhos e confessa que não consegue me esquecer nem quando está de olhos vendados. Eu tenho o direito de passear pelos teus olhos, roçar a pele dos teus lábios, provar o desenho da fibra da tua língua, sussurrar em teu ouvido. Eu invado e mesmo onde não me é permitido, entro.E me instalo.E quem quiser que reclame no PROCON sentimental, tenho todas as permissões assinadas pela tua pele. Na tua paixão, tem o meu DNA em qualquer situação. Se quiser me submeter a exames, estou pronto."
POEMA DE JOÃO BARBOZA






























