sábado, 21 de maio de 2011

VAI PASSAR

"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.
Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.
Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.
Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
- ... mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca ..."

CaioFAbreu

quarta-feira, 18 de maio de 2011

terça-feira, 17 de maio de 2011

MARIO QUINTANA

AO SABOR DA PALAVRA

“eu e você

sob o mesmo nós

dois sóis

sob o mesmo pôr

(o enigma do amor)

do sol.”

( Arnaldo Antunes)

ZECA BALEIRO

sexta-feira, 6 de maio de 2011

AO SABOR DOS SENTIDOS

MANOEL DE BARROS

Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.

- Manoel de Barros –

segunda-feira, 2 de maio de 2011

domingo, 1 de maio de 2011

sexta-feira, 29 de abril de 2011

UMA IMAGEM E UM PRESENTE...


**MULHER MENINA MULHER**

Vania Staggemeier

Guardo em meu sono...
A loba que habita em mim...
E em memórias nunca semearei...
Discórdia em noites de vendaval...

Observo as estrelas da noite...
Serenas com o silêncio...
Onde por vezes embargo a voz...

Ao som desta cidade...
Onde agora caminho livre...
Nos caminhos dentro de mim...

Nos muros pinto tua imagem...
No sorriso disfarço a tristeza...
No pensamento eu viajo...

Depois de nada adiantará...
Dizer mulher menina mulher...
Minha alma é imensa de desejos...

Nesta tristeza de falar das recusas...
Assim sou sem disfarce...
Nesta entrega que acredito...
Neste delírio de amar e sentir o amor...

Nesta sede imensa que espero...
Carrego agora no sonho...
Minha poesia na revelação...
De meus dias...

No enredo da vida...
Não aprendi os agrados falsos...
Só sei o que minha alma dita...
Que por amor vale a pena sempre...

Nas marés altas procuro sempre...
Ver as coisas boas do outro...
Nas correntes que habitam em mim...
Procuro sempre por outro ângulo...

Ver os azuis os verdes as ondas...
O arco-íris no horizonte em canto...
Onde algum dia de nada adiantará...
Dizer-me mulher menina mulher...

Tu desenhas o amor e atrai cada...
Onda do mar em cantos...
Onde agora brota as paixões...

Em secretas vozes com palavras...
Onde de nada adiantará...
Dizer-me mulher menina mulher...

sábado, 23 de abril de 2011

CAIO FERNANDO ABREU

"...existe a quem falte o delicado essêncial."

LER... VALE A PENA

“De aniversário, me dão blusas de poliéster e calças

De gabardine. Só quero usar jeans. Ninguém me dá

jeans. Todo mundo sabe que devoro livros como se

fossem barras de chocolate, que adoro música. Ainda

assim, nenhum adulto jamais me compra um livro ou

um disco de presente. Aliás, talvez seja até bom que

não me dêem o tipo de presente que me agrada. Diante

do pouco que conhecem do meu gosto, eu acabaria

ganhando livros de poliéster e discos de gabardine.”

(Do livro A Primeira Luz da Manhã de Thrity Umrigar)

Tocando em Frente O2

MÁRIO PIRATA

sexta-feira, 22 de abril de 2011

quinta-feira, 21 de abril de 2011

terça-feira, 19 de abril de 2011

domingo, 17 de abril de 2011

AO SABOR DA POESIA

“fotografei teu poema com as asas da solidão
é
solidão tem asa
são elas que escutam e me ditam o que ouvem escondido
fotografei tua emoção com o meu mais forte desejo
é
desejo invade continentes
fazem nascer novas formas de prazer
intravenoso
gasoso
fontes eternas de amor

fotografei tua saudade
que se revelou ser idêntica a minha
feita do que a gente ainda não foi exatamente
como a poesia que se lembra do que ainda nao foi

depois fotografei meu coração
que bate como o teu

fotografei meu sangue
que corre na minha mão
fotografei tua respiração
e te mandei tudo junto do meu ultimo suspiro
quase um sonho em que eu nascia em você”

(Pat Lau)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

sábado, 2 de abril de 2011

AO SABOR DA PALAVRA...


“A vida é antes e depois de ser mãe. O foco sai de você. Você nunca mais bate a porta e vai. Tenho medo do momento de voltar a ser mais só eu.” ( Débora Bloch)

terça-feira, 29 de março de 2011

FAXINA


arrumei a casa
varri o sonho
escovei o chão
molhei as plantas
...sangrei na rua
uivei para a lua
fiz um bolo de limão
para você saborear
agora é sentar
beber um chá
deixar a dor adormecer
esperar que amanhã
você me desaconteça
(POEMA DE MARIO PIRATA)

domingo, 20 de março de 2011

AUDIOTECA SAL E LUZ - Catálago

http://audioteca.org.br/catalogo.htm

site da Audioteca Sal e Luz. Audilivro para pessoas cegas ou com deficiencia visual.

terça-feira, 15 de março de 2011

POEMA DE ABEL DE JESUS REQUIÃO.

“Nem todo dia brilhará o Sol
Nem todo dia sentiremos o perfume de uma rosa
Nem todo dia receberemos um beijo de quem amamos

Portanto...
...
Precisaremos sentir a plenitude do Sol
Precisaremos sentir a plenitude da rosa
Precisaremos sentir a plenitude de um beijo

Para que...

A essência do Sol
A essência da rosa
A essência do beijo

Esteja sempre em nós...

Ainda que não haja Sol
Ainda que não haja rosa
Ainda que não haja beijo.

...Tudo se nos agrega se assim o permitimos.”

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

sábado, 5 de fevereiro de 2011

CONFISSÃO

"

Fecha os olhos e confessa que não consegue me esquecer nem quando está de olhos vendados. Eu tenho o direito de passear pelos teus olhos, roçar a pele dos teus lábios, provar o desenho da fibra da tua língua, sussurrar em teu ouvido. Eu invado e mesmo onde não me é permitido, entro.E me instalo.E quem quiser que reclame no PROCON sentimental, tenho todas as permissões assinadas pela tua pele. Na tua paixão, tem o meu DNA em qualquer situação. Se quiser me submeter a exames, estou pronto."

POEMA DE JOÃO BARBOZA

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

"Libertar era uma palavra imensa, cheia de mistérios e dores."

Clarice Lispector

"Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar."

Clarice Lispector.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Borboletas

domingo, 14 de novembro de 2010

JOSÉ SARAMAGO


Tentei não fazer nada na vida que envergonhasse a criança que fui. (Saramago)

domingo, 31 de outubro de 2010

ENTREGA

Os teus dedos seguem suaves

o contorno de meus lábios,

São o traço com que desenhas tua boca

na minha boca, neste beijo que

apenas invento na impalpável realidade

dessa noite quente.

Teu olhar é o lápis escuro

com que percorres meus olhos

Realçando as sombras dos teus cílios que

deitam sobre mim pequenos raios

de uma luz brilhante que me acolhe e abriga

No escuro dos teus cabelos,

deixo meus dedos perderem-se

E na floresta encantada de perfumes

e essências que me despertas

nossos cheiros se misturam.

Sinto o carvão cobrir minhas mãos,

dispersar-se pela cor bronzeada

do papel que é tua pele

Em meu pescoço deixas

resvalar os sentidos,

em cálidos, doces e úmidos beijos.

Em meus ombros

repousas tua face,

como se a me pedir um

embalar de sonhos sem fim.

Em meu peito soltas suavemente

tua língua, como pincel que

em tons suaves pinta a cor do meu corpo.

A palma suave das tuas mãos

inventadas no vento dos dias,

percorre ondulante o perfil da minha cintura

e dela sentes o calor e absorves a entrega.

Em meu ventre sossegas teu ouvido,

que no silêncio perdido,

escuta o estremecer urgente do prazer.

Intuis caminhos

Trilhas que pareciam perdidas,

te levam ao universo de meus desejos

Caminhas na ponta dos dedos, e

neles sentes os sinais que minha pele madura,

te oferece em sintonias de prazer

Esqueço o tempo, que deixou de passar

e em teus braços entrego-me,

para que me recebas e

na envolvência desta certeza, dou-te

todas as sensações e todas as emoções

dos sabores transgredidos.

Abro os olhos

e sobre o papel, o que foram riscos avulsos,

são agora traços difusos,

do universo de nossos desejos e ânsias.

Nada mais... Nada mais.

sábado, 30 de outubro de 2010

Oswaldo Montenegro - Metade

POEMA PRA QUE ENLOUQUEÇAS

Que meu poema chegue aos teus ouvidos
Com a fúria e persistência das ondas
Ante a arrogância dos rochedos

Que rasgue a pele da tua carcaça
E penetre teu corpo rígido
Como o primeiro raio da manhã

- Até arrancar de ti o gozo do entendimento -

Que torça teus sentimentos
Como roupa lavada
Pra que deles escoe tua verdade escondida
Em lágrimas salgadas de dignidade

Que espalhe palavras de amor
Em teu árido terreno
Verdejando de delicadeza
O campo minado de tuas defesas

Que as raízes e ramos das palavras
Desativem as bombas que escondeste
Pra explodirem sob meus passos de angústia

Que transforme dor em riso insano
Pra lembrares de tua loucura tão negada

Que arranque tuas vestes
E enudeça tua vergonha
Começando por desatar
o nó de tua gravata forca

E que essas mesmas raízes
Enrosquem-se no corpo de teus mortos
E os traga vivos à superfície
Pro derradeiro acerto de contas

Que enlouqueças um pouco com meu poema
Pra aprenderes a rir de teus valores torpes

Que meu poema te faça menino
E deboche de tua retórica vaidosa
Escorrendo entre teus dedos
qual sorvete derretido

Que meu poema te dê asas
E coragem pra voar
Derretendo o chumbo de tudo o que recalcaste

Que desça em tua garganta
Como calda de chocolate
Neutralizando o fel dos teus afetos tortos

Que meu poema seja bússola
Na escuridão de teus inúteis conceitos
Embaralhando as letras de teus livros de leis
reciclando-as em sonetos de amor

Que meu poema seja jangada
De volta a cada fim de tarde
trazendo sorrisos e alimento
Mas sobretudo
Trazendo-te de volta
Inebriado de poesia
E saudade

Que meu poema seja teu novo código de ética

(POEMA DE CADO SELBACH)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


Memória
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
...contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE In: Claro Enigma, p. 252-3

terça-feira, 26 de outubro de 2010

ALBERTO CAEIRO


II - O MEU OLHAR É NÍTIDO COMO UM GIRASSOL

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar ...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

In O Guardador de Rebanhos

domingo, 24 de outubro de 2010

BIBLIOTECA ONLINE FERNANDO PESSOA.

"Biblioteca online do Ferando Pessoa:todas as obras que integram a
biblioteca particular do escritor estao disponi'veis, na i'ntegra.
O espo'lio inclui 1142 livros e tambe'm manuscritos, ensaios e poemas,
anotados pelo pro'prio, nas pa'ginas dos livros."
http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/index.php?id=2233

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Valsa Brasileira - Chico Buarque

MONTEIRO LOBATO.


"Dizer coisas difíceis de explicar, mas

de maneira simples e sincera, é privilégio

dos que utilizam o sentimento como forma

de expressão. Monteiro Lobato era um desses.

(Abel De Jesus Requião)

"– A vida, senhor Visconde, é um pisca-pisca.
A gente
nasce, isto é, começa a piscar.
Quem pára de pi...scar chegou ao fim,
morreu.
Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso.
É um dorme e
acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais [...]
A vida
das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso.
Um rosário de piscados.

Cada pisco é um dia.
Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda,
pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e por
fim pisca pela última vez e morre. – E depois que morre?, perguntou o
Visconde.
– Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?"

Monteiro Lobato

terça-feira, 19 de outubro de 2010

'DECIR : HACER'

Entre lo que veo y digo ,
entre lo que digo y callo
entre lo que callo y sueño ,
entre lo que sueño y olvido ,
la poesía .

Se desliza
entre el sí y el no :
dice
lo que callo ,
calla
lo que digo ,
sueña
lo que olvido .

No es un decir :
es un hacer .

Es un hacer
que es un decir .

La poesía
se dice y se oye :
es real .

Y apenas digo
es real ,
se disipa .

¿ Así es más real ?
Idea palpable ,
palabra
impalpable :
la poesía
va y viene
entre lo que es
y lo que no es .

Teje reflejos
y los desteje .

La poesía
siembra ojos en la página ,
siembra palabras en los ojos .

Los ojos hablan ,
las palabras miran ,
las miradas piensan .

Oir
los pensamientos ,
ver
lo que decimos ,
tocar
el cuerpo de la idea .

Los ojos
se cierran ,
las palabras se abren .

Octavio Paz
(México)

CECÍLIA MEIRELES.

Teu bom pensamento longínquo me emociona.

Tu, que apenas me leste,

acreditaste em mim, e me entendeste profundamente.



Isso me consola dos que me viram,

a quem mostrei toda a minha alma,

e continuaram ignorantes de tudo que sou,

como se nunca me tivessem encontrado.”

Fevereiro, 1956



Cecília Meireles

In: Poesia Completa

Dispersos (1918-1964)


domingo, 17 de outubro de 2010

sábado, 2 de outubro de 2010

sábado, 25 de setembro de 2010

CANÇÃO PARA UM DESENCONTRO.

Deixa-me errar alguma vez,
porque também sou isso: incerta e dura,
e ansiosa de não te perder agora que entrevejo
um horizonte.
Deixa-me errar e me compreende,
porque se faço mal é por querer-te
desta maneira tola, e tonta, eternamente
recomeçando a cada dia como num descobrimento
dos teus territórios de carne e sonho, dos teus
desvãos de música ou vôo, teus sótãos e porões,
e dessa escadaria de tua alma.


Deixa-me errar mas não me soltes
para que eu não me perca
deste tênue fio de alegria
dos sustos do amor que se repetem
enquanto houver entre nós essa magia.


Lya Luft
In: Secreta Mirada



terça-feira, 7 de setembro de 2010

FICAR

“Não digas nada…

Deixa-me só as tuas mãos.

Elas sabem tudo o que preciso ouvir.

Não fales nada…

Deixa-me só os teus lábios

Em repouso sobre os meus.

As palavras são difíceis…

Mas há gestos que

Estão aprisionados

Num grito:

Solta-o

(-te

-me

-nos).”



domingo, 5 de setembro de 2010